11 jan Cinco dicas para matérias transmídia

 

Com leitores obtendo as notícias através de tablets, celulares, laptops e muito mais, os jornalistas têm a oportunidade de criar um novo tipo de matéria.

A reportagem transmídia significa dividir pedaços de uma matéria em múltiplas plataformas para formar uma narrativa coesa. Histórias transmídia têm como objetivo principal o engajamento do público.

Criar um componente online para o seu documentário, realizar um evento ao vivo para complementar uma matéria sobre uma causa e criar um site interativo junto com o lançamento de um livro são formas de construir o engajamento público através de plataformas.

O termo “transmídia” gerou controvérsia, por ser muitas vezes usado para descrever técnicas de marketing e entretenimento para promover filmes e séries de TV (e arrecadar dinheiro).

Mas como quer que você chama esta forma de contar histórias, ela permite que você tire proveito de várias mídias de forma única. Se experimentar esta técnica, mantenha estas dicas em mente:

Mantenha o conteúdo único

Em vez de repetir a informação em diferentes plataformas, use diferentes partes de uma história para combinar com a força de uma plataforma e maximizar a experiência do usuário. Um projeto chamado “Culture of Coffee” (Cultura do Café) combina trechos especiais das matérias com diferentes formas de mídia. O criador do projeto Metasebia Yoseph descreve as raízes e tradições do café em um blog no Tumblr, um site, um livro de mesa de café (em andamento), eventos ao vivo, rede social e página de crowdfunding.

Forneça um ponto de entrada coerente

Porque o engajamento público é central para esta forma de contar histórias, certifique-se de que a plataforma utilizada faça com que o leitor interaja de uma forma muito simples. “A interface é crucial; nada acaba mais rápido com um esforço ambicioso em multiplataforma do que um ponto de entrada grosseiro”, escreveu Jessica Clark, estrategista de mídia do AR, num resumo anual de projetos exemplares de transmídia.

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O documentário interativo Reframing Mexico (Reformulando o México) utiliza uma interface simples para manter a audiência engajada. O documentário apresenta narrativas pessoais online com infográficos que oferecem informações básicas sobre as estatísticas sociais, econômicas e históricas do país.

Faça parcerias

Não é possível esperar que um jornalista faça tudo. Parcerias são importantes. Várias organizações colaboraram no projeto transmídia NYC Stillspotting, que utiliza vídeo, mapas interativos, áudio e estudos de dados para criar uma matéria sobre os níveis de barulho em Nova York.

Aatsinki: A História dos Cowboys do Ártico é um documentário de longa-metragem sobre um ano na vida de pastores de renas. Tem um componente interativo online, The Aatsinki Season (Temporada do Aatsinki) que mostra as questões sociais, políticas, ambientais e morais por trás da prática. A ideia veio de um hackathon de fim de semana com desenvolvedores e cineastas.

Mantenha o custo-benefício

A escritora Felicia Pride, fundadora do [Pride Collaborative falou sobre custos durante um webinário focado em técnicas de contar histórias. Ela disse que projetos transmídia de grande nome como o Half the Sky — uma combinação de livro, documentáris, jogos para celular e uma campanha para os direitos de gênero — podem ser muito caros, mas há maneiras de incluir outros meios de comunicação, sem quebrar o banco.

“Você pode incorporar a transmídia de uma forma de mais barata, por exemplo, introduzindo as mídias sociais como uma forma de estender a história,” Pride disse. “Depende de seus objetivos e o que você está tentando alcançar.”

A história é a parte principal

“Existem tantas ferramentas para a criatividade que pode às vezes ser demais para a cabeça”, disse Patrick White, diretor criativo da Arcade Sunshine Media, durante um evento do Pride Collaborative sobre inovação narrativa.

Ficar preso aos recursos e ignorar os princípios básicos de contar histórias pode prejudicar seu projeto. “A história vem em primeiro lugar, sempre,” disse White. O Arcade Sunshine produz projetos transmídia como o Lakou Mizik, um centro online sobre música haitiana com áudio, vídeo e uma campanha de ação social.

O fotojornalista e guru de jornalismo transmídia, Kevin Moloney, resume a essência e o objetivo do jornalismo transmídia em seu blog dedicado à prática:

“Ao contar histórias interligadas podemos abraçar a nuance e complexidade que existem no mundo de qualquer história”, escreveu Moloney. “Através de múltiplas formas, podemos engajar as diferentes partes do nosso cérebro que ama histórias. Distribuindo-os em canais diferentes, podemos atingir o público que realmente importa. “

Primeira imagem via Yoseph do site Culture of Coffee . Segunda imagem do infográfico do site Reframing Mexico.

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